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COLÔNIAS DE FÉRIAS: POLÍTICA DE LAZER OU MAIS UMA INSTITUIÇÃO DE CONTROLE?
Última alteração: 2018-03-10
Resumo
O presente trabalho abordou o biopoder e o poder disciplinar à luz de Michel Foucault, na intenção de discutir alguns saberes e práticas característicos das Colônias de Férias. Estas são espaços informais de ensino-aprendizagem com atividades lúdicas, cooperativas, competitivas e coletivas, objetivando a promoção do lazer. Sendo assim, as Colônias de Férias são inseridas nos contextos das políticas de lazer considerando sempre que suas características dependem da instituição ou do estabelecimento que as organizam. Podendo ser entre eles universidades, academias, escolas, clubes, equipes de saúde. Isso influencia diretamente na determinação das finalidades de cada evento. Apesar de serem consideradas como espaços voltados principalmente para a promoção do lazer, as Colônias de Férias também envolvem questões educativas e promoção da saúde. Os profissionais responsáveis pelos espaços de lazer precisam ser capazes de considerar a realidade cotidiana do grupo para que o trabalho seja construído coletivamente, abrangendo o contexto sociocultural da maneira mais ampla possível. No entanto, as Colônias de Férias são consideradas frequentemente como “pacotes de lazer” com um fim restrito ao consumo. Uma das causas dessa visão é a atuação institucionalizada dos profissionais, o que pode gerar a não participação dos sujeitos por meio da dominação sociocultural. Pode-se dizer que esse fato reduz o direito ao lazer para determinadas crianças que estão se desenvolvendo e aprendendo o que é o lazer. Isso porque ao ingressarem em uma Colônia de Férias elas encontram um ambiente muito parecido com a escola, local que frequentam o ano inteiro. Além disso, esse “pacote de atividades” não oportuniza a autonomia desconsiderando a individualidade das crianças. O objetivo do ensaio foi analisar o percurso histórico das finalidades das Colônias de Férias a partir do referencial teórico-conceitual de Michael Foucault. O autor foi escolhido para discutir a questão, pois o mesmo problematiza os fundamentos das instituições a partir das discussões sobre as disciplinas e a biopolítica como tecnologias de poder ampliadas e reforçadas por instituições que utilizam instrumentos de controle. A partir dessa pesquisa, encontramos fortes propriedades do poder disciplinar e da biopolítica na educação e regulação dos corpos nas Colônias de Férias pesquisadas. O poder disciplinar se manifesta por meio da presença de atividades obrigatórias, regulação de costumes, da vigilância permanente, entre outros. A biopolítica, discutida por Foucault, aparece por intermédio da preocupação com a saúde da população que, por vezes, é colocada como prioridade, acima das escolhas dos indivíduos, dos desejos das crianças e das finalidades sociopolíticas da educação. Com isso, conclui-se que um espaço que deveria ter como principal função a fuga do poder disciplinador e da vigilância da biopolítica acaba contribuindo com os mesmos. O formato das Colônias de Férias, por na maioria das vezes ser baseado na imposição, desconsidera características específicas de cada grupo. Para que isso seja superado é importante que se rompa certas práticas assistencialistas e ocupacionais visando uma prática mais criativa que valorize a autonomia.
Palavras-chave
lazer; férias; criança