Sistema Online de Apoio a Congressos do CBCE, III CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS DO LAZER | XVII Seminário Lazer em Debate

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INTERESSES CULTURAIS DO LAZER: PRÁTICA VERSUS DESEJO
Paula Leite Antunes de Macedo, Gislane Ferreira de Melo

Última alteração: 2018-03-20

Resumo


O lazer é uma necessidade humana a qual, se vestida de significados, traz sentido e transformação à vida das pessoas e da humanidade. Suas atividades podem ser classificadas, de acordo com sua natureza, em interesses culturais esportivos, manuais, artísticos, intelectuais, sociais, turísticos e virtuais. O que leva cada pessoa a escolher uma atividade depende de tempo, atitude e interesse. Portanto, o lazer precisa estar alinhado com os valores e gostos de cada um. Dessa forma, o objetivo da presente pesquisa foi identificar quais os interesses culturais do lazer mais praticados por um grupo de servidores públicos federais aposentados e quais os que eles mais gostam, e fazer uma comparação entre esses dois achados. Foi aplicado um instrumento quantitativo de avaliação de práticas de lazer com 37 servidores públicos aposentados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, residentes no Distrito Federal, com idade entre 50 e 95 anos, sendo 25 mulheres e 12 homens. Com a avaliação feita, identificou-se as seguintes atividades mais praticadas, em ordem decrescente de interesses culturais do lazer: virtuais, esportivas, intelectuais, turísticas, manuais, sociais e artísticas. Quando indagados sobre quais as atividades que preferem, a ordem decrescente dada foi: turísticas, sociais, esportivas, artísticas, intelectuais, manuais e virtuais. Identifica-se uma situação paradoxal em que a atividade que eles menos gostam, a virtual, é a que mais praticam. Essa situação pode ocorrer devido à dificuldade que essas pessoas apresentem em encontrar opções de lazer, à necessidade de se manter mais próximo às pessoas e ao meio social, ainda que de forma virtual, e ainda por dificuldades de locomoção ou problemas de saúde que impeçam movimentos e deslocamentos. As atividades esportivas estão entre as mais praticadas e também entre as que eles mais gostam. Muitos idosos passam a praticar atividade física de maneira rotineira por recomendações médicas para manter a saúde e acabam tomando gosto e tornando essa atitude um hábito. Atividades intelectuais, especialmente leituras, são muito praticadas por esse grupo, mas estão entre as que menos gostam. Isso nos leva a refletir que, apesar de muitos indivíduos terem a leitura como um hábito, eles não a consideram como uma atividade de lazer, pois pode significar para muitos mais uma opção para passar o tempo do que um prazer. As atividades turísticas ocupam o quarto lugar das atividades mais praticadas e a primeira em termos de preferência, ou seja, eles gostam muito de viajar, mas não podem praticar tanto quanto gostariam, seja por questões financeiras, de saúde ou de falta de tempo. As atividades manuais estão entre as menos praticadas e também entre as que menos gostam, o que nos leva à desconstrução do estereótipo de envelhecimento em que a imagem do idoso é constantemente associada à de alguém dentro de casa fazendo tricô. Atualmente a forma de viver a velhice mudou, e cada vez menos esse tipo de atividade interessa e é praticada por esse grupo, que prefere muito mais viajar e estar conectado ao mundo virtual como forma de se manter parte do contexto no qual estão inseridos. Por fim, as atividades artísticas ocuparam o último lugar das atividades praticadas, mas estão em um patamar mediano em termos de preferência. Isso pode ocorrer devido à falta de hábito que a população brasileira apresenta de incorporar essas atividades em sua vida cotidiana e que se estende pela velhice, acentuada pelas questões de caráter financeiro, de comodidade, de medo de aglomerações de pessoas e de falta de companhia. Dessa forma, é possível verificar que o lazer, que deveria ser uma escolha, muitas vezes é exercido em função de fatores externos e internos os quais impedem o seu exercício de forma plena.

Palavras-chave


lazer; prazer; envelhecimento