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VARIÁVEIS SUBJETIVAS DE SAÚDE E PRÁTICAS NO LAZER EM TRABALHADORES
Última alteração: 2018-03-16
Resumo
RESUMO: A literatura sugere que o envolvimento em práticas no lazer contemple os diferentes conteúdos culturais, e que, o lazer seja uma ferramenta de promoção da saúde e bem-estar. No entanto, faltam dados empíricos para embasar tal hipótese. Desta forma, em que medidas as práticas no lazer repercutem na saúde e no estresse de trabalhadores? O presente trabalho teve como objetivo analisar as práticas no lazer, por meio da Escala de Práticas no Lazer (ELP), de acordo com variáveis subjetivas de saúde em trabalhadores industriários. Este estudo caracteriza-se como descritivo e de corte transversal. Participaram do estudo 885 trabalhadores de uma das maiores indústrias da região da Grande Florianópolis (Santa Catarina-Brasil). O envolvimento nas práticas no lazer foi analisado por meio da EPL, a qual possui em seus domínios os diferentes conteúdos culturais do lazer (artístico, manual, físico-esportivo, intelectual, social, virtual, turístico e contemplação/ócio). Por meio de uma escala do tipo Likert de onze pontos (de nunca realiza, zero a sempre realiza, 10 pontos) o sujeito responde o seu envolvimento em tais práticas. Além disso, foram analisadas as variáveis de percepção de saúde (percepção positiva e negativa), problemas de saúde (com problemas e sem problemas de saúde) e nível de estresse (baixa percepção de estresse e elevada percepção de estresse). Os resultados evidenciam que os conteúdos com maior prática foram os virtuais (X=6,46; DP=3,30) e os sociais (X=6,13; DP=3,07). Por sua vez, os artísticos (X=2,83; DP=2,88) e os turísticos (X=3,22; DP=2,94) apresentaram menores médias. Trabalhadores que realizam mais práticas no lazer em seu dia-a-dia possuem uma percepção mais positiva da sua saúde (p=0,023). No entanto, não foram encontradas diferenças significativas com relação ao envolvimento em práticas no lazer e o nível de estresse (p=0,308), tampouco com a presença de problemas de saúde (p=0,325). Desta forma, entende-se que o maior envolvimento em práticas no lazer possui uma influência na percepção subjetiva de saúde. No entanto, apesar de a literatura sugerir que o envolvimento nos diferentes contextos do lazer possa ser uma ferramenta de promoção de saúde e diminuição do nível de estresse, pessoas com elevado nível e baixo nível de estresse realizam a mesma quantidade de práticas. Este comportamento também foi identificado com àqueles com e sem problemas de saúde. Desta forma, o estresse e os problemas de saúde não são determinantes para as escolhas no lazer, muito embora aqueles com percepção subjetiva de saúde realizam mais práticas no lazer. Esses resultados podem ser parcialmente justificados pelo fato de que algumas atividades no lazer, como o excesso de atividades virtuais, podem repercutir sobre o estresse. Da mesma forma, independente de apresentarem problemas de saúde é possível realizar práticas em determinados conteúdos culturais, como intelectual e manual, por exemplo. Desta forma, sugere-se que sejam realizadas novas analises com as variáveis subjetivas de saúde em cada conteúdo cultural do lazer. Visto que, identificar essas particularidades torna-se fundamental para a promoção de diferentes possibilidades no contexto de trabalhadores industriários.
Palavras-chave
atividades de lazer; trabalhadores; atividade motora; avaliação subjetiva em saúde; avaliação.