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O ESPORTE ADAPTADO EM BELÉM DO PARÁ: MEMÓRIAS, BARREIRAS E PERSPECTIVAS DO BASQUETEBOL PARA CADEIRANTES
Luciene Costa, Luana Cunha, Valéria Santos

Última alteração: 2012-08-17

Resumo


A pesquisa em foco está compreendida na área temática Memórias da Educação Física e Esporte, em especial, na interlocução entre os campos da História, Esporte e Inclusão. Problematiza os limites e as possibilidades do esporte adaptado através das memórias narradas por um ícone do basquetebol para cadeirantes em Belém do Pará. Inscreve-se num contexto social em que o esporte adaptado é veiculado periodicamente no discurso midiático, aumentando a demanda pelo aprofundamento acadêmico-científico na temática. Sendo assim, a formação inicial em Educação Física tem pautado a questão em seus fóruns, o que mobilizou realizarmos a presente pesquisa que tem por finalidade: captar a gênese e o desenvolvimento do basquetebol para cadeirantes e identificar as principais barreiras e perspectivas vividas por aqueles que implementam o esporte em Belém do Pará. Trata-se de uma pesquisa histórica, em que utilizamos como metodologia para produção de dados, a história oral. As memórias e recordações sobre o esporte adaptado, em especial, o basquete para cadeirantes, foram relatadas pelo Professor de Educação Física “Wilson Caju”, personalidade do mundo esportivo, presidente do clube “All Star Rodas” e atual técnico da seleção brasileira feminina de basquetebol em cadeira de rodas. As informações coletadas foram gravadas e transcritas, preservando a fidedignidade das falas, as quais foram interpretadas a partir da análise do discurso. O informante autorizou tais procedimentos por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Um elemento significante que podemos detectar foi que diante de uma sociedade que desenvolve-se em uma lógica discriminadora, visualizamos que o esporte é tido como uma importante ferramenta de socialização, reintegração e elevação da autoestima, sendo capaz de amenizar o sentimento de incapacidade e impotência daqueles que praticam o esporte. Identificamos também que a função do professor de Educação Física extrapola a competência do ensino de técnicas e regras esportivas, percebemos que é necessário consciência política para refletir e analisar a condição social dos deficientes físicos, assim como, demonstrar aos mesmos possibilidades superadoras no trato com seus familiares, amigos e com a sociedade em geral. O estudo evidenciou o potencial heuristico da história oral, demonstrando tanto sua vitalidade educativa quanto científica. A partir das reflexões que subsidiaram a construção desta exposição, os acadêmicos iniciaram processos de rupturas com o modelo cronológico, factual e engessado de conceber a História. Concluímos também que o esporte é tratado como uma poderosa ferramenta de reintegração dos individuos a sociedade, capaz de romper com práticas preconceituosas e contribuir com a elevação do padrão cultural do deficiente físico. Por fim, sinalizamos a necessidade da temática ampliar sua dimensão nos cursos de formação, indo muito além de gestos técnicos, devendo abordar políticas de inclusão, a relação contraditória entre inclusão e diferença e as representações daqueles que vivem tal realidade, como técnicos, atletas e dirigentes, pois defendemos a perspectiva de ampliação dos espaços de práticas esportivas para grupos especiais, já que o estudo ratificou os efeitos do esporte na inclusão social.

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