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Futebol Feminino na Universidade: rompendo barreiras sexistas e democratizando o espaço público
Última alteração: 2014-10-27
Resumo
O presente trabalho configura-se como um projeto em desenvolvimento com vistas a democratizar a prática do futebol feminino na cidade de Goiânia; realiza-se no espaço da Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia de Goiás - ESEFFEGO. Este projeto extensionista intitulado: Entre-Linhas: futebol feminino na Eseffego é uma iniciativa que visa tanto atender as acadêmicas dos Cursos de Educação Física e Fisioterapia da nossa instituição, como promover a participação da comunidade em geral, no intuito de dar acesso ao futebol tendo como foco a demanda feminina nesta modalidade.
Além disso, outra preocupação dessa iniciativa é a de possibilitar às acadêmicas de Educação Física que participam do projeto como monitoras, o exercício da docência por meio dos planejamentos semanais das aulas ministradas, garantindo assim a sistematização das aulas e uma prática pedagógica que venha a contribuir com as egressas no trato com as questões relacionadas ao esporte e a mulher como um todo, e mais detidamente sobre o futebol, a partir das leituras e discussões acerca dos aspectos que tangenciam o futebol em seus aspectos históricos, técnicos, táticos, de gêneros dentre outros.
Desse modo, entendemos que desenvolver um projeto privilegiando a prática do futebol por mulheres, esporte este que é eivado de preconceitos, por se tratar de uma modalidade esportiva na qual, historicamente, a predominância é masculina, torna-se relevante; pois abre o espaço da universidade para o acesso, para a prática e para a discussão sobre essa modalidade para o público feminino. Nesses termos, a nosso ver essa iniciativa contribui em certa medida para a desmistificação de um território eminentemente ocupado pelo sexo masculino; e que apesar de nos últimos anos esse quadro ter se modificado, com o incentivo da prática do futebol feminino e a visibilidade midiática com a transmissão de jogos da Copa do Mundo de futebol feminino, ainda é perceptível o preconceito acerca dessa prática pelo sexo feminino.
Portanto, por compreendermos que o futebol é um esporte extremamente popular, mas longe de estar entre a primeira opção da maioria das mulheres, enquanto prática esportiva, nosso intuito é por meio da disseminação do futebol feminino na Eseffego, oportunizar um espaço para a prática desse esporte, bem como estreitar a relação de diálogo com mulheres da comunidade e acadêmicas da instituição, que desejem participar do projeto.
Nestes termos, percebemos que ao democratizar a prática e consequentemente o acesso do futebol para mulheres temos a possibilidade de tensionar os discursos existentes e dar espaço àquelas mulheres que querem praticá-lo, como já fazem em tantas outras modalidades esportivas. Nessa perspectiva, conforme Goellner et al (2009):
Para fazermos uma intervenção de qualidade no que diz respeito à democratização ao acesso às práticas esportivas [...] bem como à educação dos sujeitos envolvidos nestas atividades, precisam problematizar os discursos e questionar as práticas que circulam no seu entorno, muitas das quais, historicamente, têm reforçado atitudes de segregação da mulher a determinados esportes de forma sexista [...] (p.6).
Assim, o projeto Entre-Linhas: futebol feminino da Eseffego, busca por meio das aulas romper com tendentes discursos prontos e muitas vezes pejorativos acerca da presença feminina na prática do futebol.
Para tanto, o referencial teórico que nos auxilia na reflexão e preparação das aulas de futebol, contemplando os fundamentos técnicos e táticos são (FRISSELLI; MANTOVANI, 1999) juntamente com o aporte teórico para discutir as questões acerca da condição da mulher no âmbito do futebol, do preconceito e da segregação feminina neste esporte, foram utilizados os trabalhos de (ALTMANN, 2007; GOELLNER, 2009; 2003; 2001). Ambas as bases teóricas contribuem tanto no concernente aos aspectos didáticos metodológicos no que tange aos fundamentos do futebol, como para uma melhor compreensão dos aspectos sócio-históricos desta prática.
Assim, o objetivo geral do projeto é promover por meio de ações sistematizadas semanalmente, a prática do futebol para mulheres jovens e adultas independente da sua experiência com o futebol. E tem como objetivos específicos a aprendizagem e aperfeiçoamento dos fundamentos técnicos e táticos do futebol; socialização das acadêmicas da Eseffego e as mulheres da comunidade por meio da prática do futebol; promover a desmistificação ainda existente da presença feminina na prática do futebol e compreender as relações constituídas historicamente entre a mulher e o esporte.
A metodologia para o desenvolvimento do projeto é sob a forma de planejamento da coordenadora e das monitoras que ministram as aulas. Neste sentido, as aulas ocorrem duas vezes por semana nos turnos matutino e vespertino, em que busca por meio de trabalho individual, em pequenos grupos e grandes grupos, a partir do nível de cada aluna trabalhar os fundamentos do futebol, respeitando as individualidades e limites das participantes. Com isto visamos garantir a participação das mesmas na aprendizagem dos fundamentos técnicos e táticos do futebol, bem como o incentivo, a socialização e o envolvimento de todas em cada etapa das aulas.
As aulas acontecem tanto no campo de futebol com as vivências práticas, quanto em momentos vivenciados em sala, com aulas expositivas acerca do conteúdo trabalhado e também por meio de recursos audiovisuais (projetor de imagem e filmes) que contextualizam o futebol, tendo em vista a melhor compreensão das participantes em relação ao futebol nos aspectos técnicos e táticos, assim como os aspectos que tangenciam a constituição histórica e social desta modalidade.
A avaliação do andamento do projeto se dá por meio de relatório das monitoras que é apresentado e discutido mensalmente em que é avaliado o processo de ensino-aprendizagem das mesmas no decorrer do projeto de acordo com o cronograma de atividades realizadas até o momento. A avaliação é feita ao término de cada aula, em que as monitoras levantam questões sobre a assimilação dos conhecimentos transmitidos, bem como as dificuldades apresentadas. Este diagnóstico mensal do andamento do projeto visa repensar a prática pedagógica e desse modo reencaminhar, caso necessário, as aulas.
Sem perder de vista a essência do projeto, que é de romper com o discurso vigente de que a prática do futebol se apresenta como restritiva, por inúmeros fatores, muitos deles relacionados ao preconceito, a segregação da mulher na nossa sociedade e a suposta inabilidade do gênero feminino para este jogo (GOELLNER, 2009; 2005; 2003; 2001) é que encaminhamos nossas ações.
A experiência até o presente momento mostra que as alunas do projeto veem no mesmo a oportunidade de praticar o futebol sem a preocupação com críticas sobre o seu desempenho nas aulas, entendendo o espaço enquanto de aprendizagem, mas acima de tudo, como lugar de democratização do futebol para a mulher. Fortalecendo com isso, a ideia de que o esporte é um território de todos e não alguns que se julgam melhores (mais hábeis) para a sua prática, portanto, a acessibilidade e liberdade das mulheres praticarem o futebol é antes de tudo uma oportunidade de ressignificação de verdades construídas e tidas como insuspeitas no imaginário social (ALTMANN, 2007).
Nessa perspectiva, o projeto apresenta alguns resultados parciais até o momento de acordo com os objetivos propostos e a avaliação das alunas participantes, os quais podemos destacar: o reconhecimento da prática futebolística como algo acessível, desde que haja espaços para a democratização deste esporte para a mulher; a compreensão dos fundamentos básicos (passe, chute, recepção, cabeceio, controle, condução drible, domínio e marcação, noções de posicionamento tático e de regras); sendo possível perceber ao longo das ações implementadas o visível interesse das participantes em continuar no projeto. Isto denota que ao abrir as portas do espaço público, a comunidade ocupa este espaço e a interlocução com a mesma acontece.
A iniciativa em propiciar a prática do futebol feminino em um projeto de extensão com um viés crítico-reflexivo desta prática é um desafio pioneiro nessa instituição. Naturalizar a participação feminina nesta modalidade é um esforço que se constrói coletiva e cotidianamente por nós que estamos à frente do projeto Entre-Linhas: futebol feminino na Eseffego. Desse modo, entendemos que o “pontapé” inicial foi dado; e o retorno desse trabalho já é perceptível no âmbito acadêmico, pelo reconhecimento das acadêmicas participantes enquanto alunas, pelas acadêmicas que atuam como monitoras e as mulheres da comunidade em geral que participam do projeto e o percebem como de fato um lugar em que se aprende a jogar futebol, mas também se aprende a ler as “entrelinhas” da condição da mulher na nossa sociedade.
Além disso, outra preocupação dessa iniciativa é a de possibilitar às acadêmicas de Educação Física que participam do projeto como monitoras, o exercício da docência por meio dos planejamentos semanais das aulas ministradas, garantindo assim a sistematização das aulas e uma prática pedagógica que venha a contribuir com as egressas no trato com as questões relacionadas ao esporte e a mulher como um todo, e mais detidamente sobre o futebol, a partir das leituras e discussões acerca dos aspectos que tangenciam o futebol em seus aspectos históricos, técnicos, táticos, de gêneros dentre outros.
Desse modo, entendemos que desenvolver um projeto privilegiando a prática do futebol por mulheres, esporte este que é eivado de preconceitos, por se tratar de uma modalidade esportiva na qual, historicamente, a predominância é masculina, torna-se relevante; pois abre o espaço da universidade para o acesso, para a prática e para a discussão sobre essa modalidade para o público feminino. Nesses termos, a nosso ver essa iniciativa contribui em certa medida para a desmistificação de um território eminentemente ocupado pelo sexo masculino; e que apesar de nos últimos anos esse quadro ter se modificado, com o incentivo da prática do futebol feminino e a visibilidade midiática com a transmissão de jogos da Copa do Mundo de futebol feminino, ainda é perceptível o preconceito acerca dessa prática pelo sexo feminino.
Portanto, por compreendermos que o futebol é um esporte extremamente popular, mas longe de estar entre a primeira opção da maioria das mulheres, enquanto prática esportiva, nosso intuito é por meio da disseminação do futebol feminino na Eseffego, oportunizar um espaço para a prática desse esporte, bem como estreitar a relação de diálogo com mulheres da comunidade e acadêmicas da instituição, que desejem participar do projeto.
Nestes termos, percebemos que ao democratizar a prática e consequentemente o acesso do futebol para mulheres temos a possibilidade de tensionar os discursos existentes e dar espaço àquelas mulheres que querem praticá-lo, como já fazem em tantas outras modalidades esportivas. Nessa perspectiva, conforme Goellner et al (2009):
Para fazermos uma intervenção de qualidade no que diz respeito à democratização ao acesso às práticas esportivas [...] bem como à educação dos sujeitos envolvidos nestas atividades, precisam problematizar os discursos e questionar as práticas que circulam no seu entorno, muitas das quais, historicamente, têm reforçado atitudes de segregação da mulher a determinados esportes de forma sexista [...] (p.6).
Assim, o projeto Entre-Linhas: futebol feminino da Eseffego, busca por meio das aulas romper com tendentes discursos prontos e muitas vezes pejorativos acerca da presença feminina na prática do futebol.
Para tanto, o referencial teórico que nos auxilia na reflexão e preparação das aulas de futebol, contemplando os fundamentos técnicos e táticos são (FRISSELLI; MANTOVANI, 1999) juntamente com o aporte teórico para discutir as questões acerca da condição da mulher no âmbito do futebol, do preconceito e da segregação feminina neste esporte, foram utilizados os trabalhos de (ALTMANN, 2007; GOELLNER, 2009; 2003; 2001). Ambas as bases teóricas contribuem tanto no concernente aos aspectos didáticos metodológicos no que tange aos fundamentos do futebol, como para uma melhor compreensão dos aspectos sócio-históricos desta prática.
Assim, o objetivo geral do projeto é promover por meio de ações sistematizadas semanalmente, a prática do futebol para mulheres jovens e adultas independente da sua experiência com o futebol. E tem como objetivos específicos a aprendizagem e aperfeiçoamento dos fundamentos técnicos e táticos do futebol; socialização das acadêmicas da Eseffego e as mulheres da comunidade por meio da prática do futebol; promover a desmistificação ainda existente da presença feminina na prática do futebol e compreender as relações constituídas historicamente entre a mulher e o esporte.
A metodologia para o desenvolvimento do projeto é sob a forma de planejamento da coordenadora e das monitoras que ministram as aulas. Neste sentido, as aulas ocorrem duas vezes por semana nos turnos matutino e vespertino, em que busca por meio de trabalho individual, em pequenos grupos e grandes grupos, a partir do nível de cada aluna trabalhar os fundamentos do futebol, respeitando as individualidades e limites das participantes. Com isto visamos garantir a participação das mesmas na aprendizagem dos fundamentos técnicos e táticos do futebol, bem como o incentivo, a socialização e o envolvimento de todas em cada etapa das aulas.
As aulas acontecem tanto no campo de futebol com as vivências práticas, quanto em momentos vivenciados em sala, com aulas expositivas acerca do conteúdo trabalhado e também por meio de recursos audiovisuais (projetor de imagem e filmes) que contextualizam o futebol, tendo em vista a melhor compreensão das participantes em relação ao futebol nos aspectos técnicos e táticos, assim como os aspectos que tangenciam a constituição histórica e social desta modalidade.
A avaliação do andamento do projeto se dá por meio de relatório das monitoras que é apresentado e discutido mensalmente em que é avaliado o processo de ensino-aprendizagem das mesmas no decorrer do projeto de acordo com o cronograma de atividades realizadas até o momento. A avaliação é feita ao término de cada aula, em que as monitoras levantam questões sobre a assimilação dos conhecimentos transmitidos, bem como as dificuldades apresentadas. Este diagnóstico mensal do andamento do projeto visa repensar a prática pedagógica e desse modo reencaminhar, caso necessário, as aulas.
Sem perder de vista a essência do projeto, que é de romper com o discurso vigente de que a prática do futebol se apresenta como restritiva, por inúmeros fatores, muitos deles relacionados ao preconceito, a segregação da mulher na nossa sociedade e a suposta inabilidade do gênero feminino para este jogo (GOELLNER, 2009; 2005; 2003; 2001) é que encaminhamos nossas ações.
A experiência até o presente momento mostra que as alunas do projeto veem no mesmo a oportunidade de praticar o futebol sem a preocupação com críticas sobre o seu desempenho nas aulas, entendendo o espaço enquanto de aprendizagem, mas acima de tudo, como lugar de democratização do futebol para a mulher. Fortalecendo com isso, a ideia de que o esporte é um território de todos e não alguns que se julgam melhores (mais hábeis) para a sua prática, portanto, a acessibilidade e liberdade das mulheres praticarem o futebol é antes de tudo uma oportunidade de ressignificação de verdades construídas e tidas como insuspeitas no imaginário social (ALTMANN, 2007).
Nessa perspectiva, o projeto apresenta alguns resultados parciais até o momento de acordo com os objetivos propostos e a avaliação das alunas participantes, os quais podemos destacar: o reconhecimento da prática futebolística como algo acessível, desde que haja espaços para a democratização deste esporte para a mulher; a compreensão dos fundamentos básicos (passe, chute, recepção, cabeceio, controle, condução drible, domínio e marcação, noções de posicionamento tático e de regras); sendo possível perceber ao longo das ações implementadas o visível interesse das participantes em continuar no projeto. Isto denota que ao abrir as portas do espaço público, a comunidade ocupa este espaço e a interlocução com a mesma acontece.
A iniciativa em propiciar a prática do futebol feminino em um projeto de extensão com um viés crítico-reflexivo desta prática é um desafio pioneiro nessa instituição. Naturalizar a participação feminina nesta modalidade é um esforço que se constrói coletiva e cotidianamente por nós que estamos à frente do projeto Entre-Linhas: futebol feminino na Eseffego. Desse modo, entendemos que o “pontapé” inicial foi dado; e o retorno desse trabalho já é perceptível no âmbito acadêmico, pelo reconhecimento das acadêmicas participantes enquanto alunas, pelas acadêmicas que atuam como monitoras e as mulheres da comunidade em geral que participam do projeto e o percebem como de fato um lugar em que se aprende a jogar futebol, mas também se aprende a ler as “entrelinhas” da condição da mulher na nossa sociedade.
Palavras-chave
Futebol;mulher;preconceito
Referências
ALTMANN, H. Mulheres, memórias e histórias: reflexões sobre o fazer historiográfico. In: Goellner, Silvana V; JAEGER, Angelita A.. (Org.). Garimpando Memórias: esporte, Educação Física, lazer e dança. 1 ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2007.
FRISSELLI, Ariobaldo; MANTOVANI, Marcelo. Futebol: Teoria e Prática. São Paulo: Phorte, 1999.
GOELLNER. S. V. et al. Gênero e Raça: inclusão no esporte e lazer. Porto Alegre: Ministério do Esporte/Gráfica da UFRGS, 2009.
__________. Bela, maternal e feminina: imagens da mulher na Revista Educação Physica. Ijuí: Editora UNIJUÍ, 2003.
__________. Mulheres e futebol no Brasil: entre sombras e visibilidades. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 19, n. 2, p. 143-152, abr./jun., 2005. SIMÕES, Renata Duarte. Gênero na Educação Física: a emergência de um conceito. In: XIII CONBRACE - Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, 2003, Caxambu - MG. Anais do XIII CONBRACE, 2003.
___________. S. V. Gênero, Educação Física e esportes. In: VOTRE, Sebastião (org). Imaginário & representações sociais em educação física, esporte e lazer. Rio de Janeiro: Gama Filho, 2001, p. 215-227.
FRISSELLI, Ariobaldo; MANTOVANI, Marcelo. Futebol: Teoria e Prática. São Paulo: Phorte, 1999.
GOELLNER. S. V. et al. Gênero e Raça: inclusão no esporte e lazer. Porto Alegre: Ministério do Esporte/Gráfica da UFRGS, 2009.
__________. Bela, maternal e feminina: imagens da mulher na Revista Educação Physica. Ijuí: Editora UNIJUÍ, 2003.
__________. Mulheres e futebol no Brasil: entre sombras e visibilidades. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 19, n. 2, p. 143-152, abr./jun., 2005. SIMÕES, Renata Duarte. Gênero na Educação Física: a emergência de um conceito. In: XIII CONBRACE - Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, 2003, Caxambu - MG. Anais do XIII CONBRACE, 2003.
___________. S. V. Gênero, Educação Física e esportes. In: VOTRE, Sebastião (org). Imaginário & representações sociais em educação física, esporte e lazer. Rio de Janeiro: Gama Filho, 2001, p. 215-227.