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CAPOEIRA NA ESCOLA: relato de uma prática pedagógica
noelir rodrigues santos, Aline Silva Santos, Nadson Santana Reis, Ana Gabriela Alves Medeiros

Última alteração: 2018-05-01

Resumo


INTRODUÇÃO

O presente trabalho, enquanto um relato de experiência, é resultado de uma intervenção pedagógica desenvolvida a partir do estágio curricular supervisionado realizado em uma escola pública da rede municipal de ensino da cidade de Guanambi-BA mediante parceria com o curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação/Campus XII.
A intervenção pedagógica que sustenta esse relato tematizou a capoeira como conteúdo nas aulas de Educação Física de turmas do 5º ano do Ensino Fundamental I. O objetivo foi problematizar o conjunto de saberes/fazeres relativos à capoeira.
Nesse sentido, tomou-se a capoeira como uma construção sociocultural desenvolvida, inicialmente, por negros escravizados no Brasil que, por isso, constituiu um elemento imprescindível à resistência frente aos processos de escravidão e marginalização dos negros (FONTOURA, GUIMARÃES, 2002).
Assim, considerando a necessidade de a Educação Física resgatar a capoeira enquanto uma manifestação cultural carregada de importância para o povo brasileiro (SOARES et al., 1992) a intervenção aqui apresentada procurou tratá-la sem ‘desencarná-la’ do movimento cultural e político que a gerou.

METODOLOGIA
A intervenção pedagógica que sustenta esse relato se desenvolveu no contexto do estágio supervisionado – um tempo/espaço que toma a escola como objeto de análise, investigação e intervenção crítica e criativa (PIMENTA, LIMA, 2004).
Por isso, optou-se por uma pesquisa-ação – um tipo de pesquisa social que é realizada em estreita associação com a ação (THIOLLENT, 1985). Os dados pertinentes foram registrados em diários de bordo e posteriormente sistematizados/analisados.
ANÁLISE E DISCUSSÃO
A intervenção pedagógica esteve fundamentada na perspectiva crítico-superadora (SOARES et al., 1992). Assim, de início, buscou-se, na forma de um diagnóstico, conhecer as experiências dos alunos, sua memória e seu saber prático a respeito da capoeira.
Nesse processo, percebeu-se que a capoeira tinha pouca inserção no dia-a-dia dos estudantes e, além disso, estava eivada de preconceitos e marginalização como ocorre com grande parte da cultura corporal de origem afro-brasileira (TEIXEIRA, OSBORNE e SOUZA, 2012).
De posse desses dados, passou-se à fase de problematização. Neste momento, buscou-se questionar, junto aos estudantes, o teor marginal e preconceituoso que atravessa o conjunto de afirmações elaboradas e reproduzidas a respeito da capoeira seja na dimensão conceitual, histórica, social, estética e religiosa.
Em seguida, a partir de estratégias de ensino variadas, analisamos, junto aos alunos, a história da origem e desenvolvimento da capoeira no Brasil. Nessa linha, destacou-se a importância da capoeira como elemento de resistência da luta dos negros escravizados no país e, além disso, discutiu-se a contribuição dos mestres Bimba e Pastinha para a sua contemporaneidade. Ademais, de forma concomitante, organizou-se espaços em que os fundamentos da capoeira fossem apresentados/apreciados e vivenciados, culminando numa roda de capoeira organizada pelos alunos.

CONCLUSÃO

O trato da capoeira na escola, enquanto uma aplicação da lei 10.639/2003, guarda desafios que precisam ser amplamente discutidos pela comunidade educacional a fim de qualificar, legitimar e assegurar um trato didático-pedagógico adequado à realidade escolar e aos propósitos educacionais de formação crítica, humana e inclusiva.
Dos desafios para o trabalho com a capoeira, na escola, destaca-se a carga de preconceitos que torna esse elemento da cultura corporal do brasileiro um traço cultural marginal e, ainda hoje, em processo de marginalização que vem sendo combatido, inclusive, no currículo da escola básica. Esse combate está na produção e disseminação de discursos eivados de preconceito racial que desconsideram sua validade e pertinência para a construção da cultura e identidade étnico-racial brasileira.
REFERÊNCIAS
SOARES, et al. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1992.

FONTOURA, A. R. R.; GUIMARÃES, A. C. A. História da Capoeira. Revista da Educação Física, Maringá, v. 13, n. 2, p. 141-150, 2002. Disponível em < http://eduem.uem.br/ojs/index.php/reveducfis/article/download/3712/2553.>. Acesso em 02 de março de 2018.

PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e Docência. São Paulo: Cortez, 2004.

TEIXEIRA, F. F.; OSBORNE, R.; SOUZA, E. G. R. S. A prática do ensino da capoeira nas escolas: perfil e visão do capoeirista. Corpus et Scientia, Rio de Janeiro v. 8, n. 2, p. 1-15, out. 2012. Disponível em . Acesso em 02 de março de 2018.

THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez, 1985.