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PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS: A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
Amanda Santana de Souza, Suzana Alves Nogueira Souza

Última alteração: 2018-08-29

Resumo


Nos últimos anos, mas especificamente, a partir da Declaração de Salamanca, em 1994, têm surgido bastantes produções científicas abordando o tema relacionado à questão da educação inclusiva, ou seja, tem se discutido acerca da inclusão de alunos com deficiência, e outros segmentos sociais excluídos, no ensino regular.
Entretanto, ainda é preciso fazer com que essa discussão possa se reverberar em mais práticas pedagógicas inclusivas, pois o fato de vários alunos estarem incluídos nas escolas de ensino regular ainda tem causado espanto na comunidade escolar, por diversos fatores, dentre eles a falta de preparação do professor para organizar ações conscientes e intencionais para atender as demandas sociais de todos os aprendizes.
Diante deste processo de inclusão, as escolas têm buscado diferentes maneiras e estratégias de facilitar a inclusão deste aluno, tanto com mudanças na organização das práticas pedagógicas, quanto na estrutura física da escola. A Educação Física, enquanto componente curricular obrigatório, também se constitui como uma excelente ferramenta de inclusão, pois além de possibilitar aos alunos a apropriação dos conteúdos da cultura corporal de movimento, permite a vivência de atividades sociocorporais favoráveis para a materialização da inclusão, a depender da forma como os professores conduzam suas aulas.
O presente estudo teve como foco os impactos positivos que as aulas de Educação Física, dentro das práticas educacionais inclusivas, podem trazer no processo de inserção do aluno com deficiência no ensino regular. O objetivo foi evidenciar as principais contribuições encontradas nesse processo de inclusão do aluno com deficiência nas aulas de Educação Física. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório. A amostra do material foi proveniente de bases de dados digitais, sendo composta por dezoito artigos, com um recorte temporal de quinze anos, onde foi utilizado estudos de 2010 a 2017. Como critérios de seleção buscaram-se estudos que trouxessem como resultados o aluno com deficiência, a presença do aluno com deficiência incluído nas aulas de Educação Física, especialmente nas escolas de ensino regular. Utilizou-se o protocolo de análise descritiva (GIL, 2008) para o tratamento analítico dos dados, realizada a partir dos quatro tipos de leituras: exploratória, seletiva, analítica e interpretativa. Ficou evidenciado que a Educação Física pode contribuir para o processo de inclusão do aluno, com seus mais diversos caminhos flexíveis e suas possibilidades de trabalho em equipe com os princípios da aprendizagem colaborativa.
Desta forma revelou-se que as principais contribuições encontradas no processo de inclusão estão atreladas a diversos fatores sendo eles: o respeito, dentre todos os resultados encontrados apareceu como um dos mais citados nos estudos (DA SILVA; DA SILVA, 2005; AGUIAR; DUARTE, 2005; MAZZARINO; FALKENBACH; RISSI, 2009; TANURE ALVES; DUARTE, 2005), em seguida aparece superação das práticas discriminatórias (RODRIGUES; 2003; SILVA; SILVA, 2005; AGUIAR; DUARTE, 2005; OLIVEIRA; RODRIGUES, 2006; MANDARINO, 2004), cooperação como forma de combater a competição (SILVA E SILVA 2005; AGUIAR E DUARTE, 2005; PALMA; ROSSO LENHARD, 2012), interações sociais (DE SOUZA; BOATO, 2009; AGUIAR; DUARTE, 2005; SALLES; ARAÚJO; FERNANDES, 2015; ALVES; DUARTE, 2014; RODRIGUES; RODRIGUES, 2017; PALMA; ROSSO LEHNHARD, 2012), melhor adaptação do aluno (SALLES; ARAÚJO; FERNANDES, 2015), comportamento solidário, aprendizado mútuo, aquisição de novos conhecimentos (AGUIAR; DUARTE, 2005; GONÇALVES, 2010; MAZZARINO; FALKENBACH; RISSI, 2009; RODRIGUES, 2003; ALVES; DUARTE, 2005), trabalho em conjunto com ampla participação (AGUIAR; DUARTE, 2005; GONÇALVES, 2010; MAZZARINO; FALKENBACH; RISSI, 2009; RODRIGUES, 2003; ALVES; DUARTE, 2005), desenvolvimento global do aluno (SOUZA; BOATO, 2009; OLIVEIRA; RODRIGUES, 2006; CIDADE; FREITAS, 2002; MANDARINO, 2004; ALVES; DUARTE; 2014; RODRIGUES; RODRIGUES, 2017; SILVA; SOUSA; VIDAL, 2008; FIORINI; NABEIRO, 2013), relacionamento com atitudes mais positivas (GORGATTI, 2008), maior satisfação e elevação da autoestima (ALVES; DUARTE, 2005; ALVES; DUARTE, 2014).
Portanto, conclui-se que o papel da Educação Física é indispensável no processo de inclusão dos alunos, independente das suas especificidades sendo válido ressaltar a grande relevância notada nas obras encontradas, devido aos fatores positivos que o aluno sente ao estar incluído e participando ativamente de uma aula de Educação Física, não sendo um mero observador, mas tendo participação e aprendizagem significativa.




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