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“AQUI É TODO MUNDO IGUAL”: RELATOS DE UMA PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA INICIANTE E SUA RELAÇÃO COM A CULTURA ESCOLAR NA CIDADE DE CRICIÚMA – SC.
Camila da Rosa Medeiros, Victor Julierme Santos da Conceição

Última alteração: 2015-07-02

Resumo


Entendemos que as vivencias no início da carreira docente, podem auxiliar a legitimar a prática educativa frente a cultura escolar. No entanto, tais vivencias tornam-se apenas ações para dar conta de fatos isolados do cotidiano, mas não possibilitam a criação de atitudes que modifiquem e dêem sentido à prática educativa. Inicialmente procuramos compreender em que se constitui esse emaranhado chamado cultura. Assim concordamos com Geertz (2008), ao apresentar diversos conceitos de cultura e tecer análises sobre eles, defendendo que o homem é um animal preso a um conjunto de teias que ele ajudou a tecer e que nesse sentido, a cultura se caracteriza como essas teias e seus significados. Esses significados sociais se incorporam ao modo de ser, agir e pensar do sujeito, através do processo socializatório (DUBAR,1997), constituindo a identidade do individuo. Essa identidade está em constante transformação ao passo que a cada relação estabelecida com uma nova cultura, o sujeito transforma, mas também é transformado, no processo dialético entre culturas. Para Dubet (1994) a experiência é o que toca o sujeito a partir da sua subjetividade, da relação entre o seu processo de construção, os outros sujeitos e as relações sociais que ele estabelece com o meio.
Dado exposto contribuiu para construção do seguinte objetivo: compreender como experiências com a cultura escolar assumem protagonismo no processo de construção do ser docente em narrativas de uma professora de Educação Física no início de carreira na Rede Municipal de Criciúma-SC. Essa pesquisa se caracteriza como descritiva de caráter qualitativo. Após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, participou como colaboradora, uma professora de Educação Física iniciante, que atua com turmas de educação infantil a três anos, utilizamos o nome fictício de PÉROLA, alterando a identificação da professora para manter os aspectos éticos da pesquisa. Utilizamos observação do campo e entrevista semiestruturada com enfoque narrativo como intrumentos de coleta de informações.
As experiências com a cultura escolar podem se manifestar em ações positivas e negativas ao docente em início de carreira. O docente vivenciar aspectos negativos relacionados a uma série de fatores que vão além do trato pedagógico com o conhecimento pode fazer com que ele crie resistência a relação reflexiva, e passe a sobrepujar o conhecimento teórico e sua concepção de educação física em detrimento da construção da prática a partir das experiências com a cultura escolar. Assim, percebemos que a cultura escolar não produz sentidos significativos para a construção da prática pedagógica de Pérola, no entanto a relação estabelecida com os alunos e desenvolvimento deles no aspecto biológico são os principais motivos de mudança na representação negativa acerca da educação infantil.

Palavras-chave


Experiências na cultura escolar; professora iniciante; Educação física

Referências


DUBAR, Claude. A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
DUBET, François. Sociologia da Experiência. Lisboa: Instituto Piaget, 1994.
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