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EFEITOS DO TREINAMENTO DE FORÇA NO MEIO AQUÁTICO NA RAZÃO CINTURA/ESTATURA DE MULHERES JOVENS
Maira Cristina Wolf Schoenell, Natalia Soares dos Santos, Roberto Fernandes da Costa, Luiz Fernando Martins Kruel

Última alteração: 2015-06-17

Resumo


INTRODUÇÃO
A razão cintura/estatura (RCE) tem sido utilizada como preditor de risco para doenças crônicas não transmissíveis, em diferentes faixas etárias e para ambos os sexos, com pontos de corte bem estabelecidos (ASHWELL et al., 2012). Este índice apresenta vantagem sobre a medida isolada do perímetro abdominal por levar em consideração a estatura do avaliado (PARIKH et al., 2007).
O exercício físico constitui uma estratégia reconhecidamente válida para a redução do risco para doenças crônicas, o que pode ser monitorado pela modificação de medidas e índices antropométricos, como o índice de massa corporal (IMC) e a RCE (FARRELL et al., 2010).
A utilização de exercícios aquáticos, incluindo os de força, apresenta bons resultados para a promoção da saúde (BERGAMIN et al., 2013) entretanto não há consenso quanto à eficiência dos mesmos em diferentes volumes de treinamento, com séries únicas ou séries múltiplas (FRÖHLICH et al., 2010) o que justifica a necessidade de estudos que possam orientar os profissionais da área neste sentido.

OBJETIVO
Verificar a eficiência do treinamento aquático de força em circuito, com a utilização de séries únicas e séries múltiplas, para a redução da razão cintura/estatura.

METODOLOGIA
- Sujeitos
O presente estudo contou com amostra intencional de 69 mulheres jovens (24,6 + 3,99 anos de idade), saudáveis e sedentárias, incluídas a partir de resposta a divulgação pública na cidade de Teutônia – RS.
A amostra foi estratificada em quatro grupos de treinamento, pelo resultado do teste de 1RM, de tal forma que todos os grupos apresentassem as mesmas proporções de participantes com os diferentes níveis de força obtidos. A denominação dos grupos foi: SS (série simples/ série simples); SM (série simples /séries múltiplas); MM (séries múltiplas / séries múltiplas) e MS (séries múltiplas / série simples).
Para participar do estudo, todos os sujeitos leram e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido que continha todas as informações sobre os procedimentos adotados e os possíveis riscos envolvidos no mesmo. O estudo foi aprovado pelo comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob o número 21088.
- Procedimentos para Coleta dos Dados
A avaliação antropométrica foi composta pelas medidas de massa corporal, estatura e perímetro abdominal, utilizadas para a realização do cálculo do IMC (massa/estatura2) e da RCE (perímetro abdominal/estatura). Os instrumentos utilizados foram um estadiômetro da marca Sanny® modelo Caprice com resolução de 0,1 cm; uma balança digital da marca Sanny® com resolução de 0,1 kg; e uma trena metálica antropométrica da marca Sanny®, com resolução de 0,1 cm.
- Treinamento
O treinamento foi realizado durante 20 semanas, com duas sessões semanais de 25 ou 45 minutos, conforme o tipo de treinamento. O grupo SS realizou 20 semanas de treinamento com séries simples. O grupo SM realizou 10 semanas de treinamento com séries simples e após 10 semanas com treinamento de séries múltiplas. O grupo MS realizou 10 semanas de treinamento com séries múltiplas e após 10 semanas com treinamento de séries simples. E o grupo MM realizou 20 semanas de treinamento com séries múltiplas.
Foram utilizados exercícios para membros superiores, inferiores e para a musculatura abdominal, divididos em forma de circuito e realizados sempre em máxima velocidade. A piscina foi, portanto, dividida em quatro estações, sendo que em cada uma foram realizados 3 exercícios, totalizando os 12 exercícios do programa de treinamento. A cada semana, os sujeitos iniciavam o treinamento em uma estação diferente.
Cada sessão, independente do grupo, foi composta de aquecimento articular padronizado com duração de 8 minutos, parte principal (treinamento de força em forma de circuito) e alongamento final também padronizado com a duração de 5 minutos. Durante todo o período de treinamento, um professor experiente na prática de hidroginástica e um monitor acompanharam as sessões. A temperatura da piscina foi mantida entre 30 e 32 graus Celcius.
- Análise dos dados
Foi realizada estatística descritiva com medidas de média e desvios padrão para as variáveis do estudo. As comparações entre os tempos (pré, 10 semanas, 20 semanas) e os grupos (SS, SM, MS, MM), foram realizadas por Equações de Estimativa Generalizadas – GEE. As análises foram realizadas no pacote estatístico SPSS v. 20.0, sendo considerada significância estatística para α= 0,05.

ANÁLISE E DISCUSSÃO
A análise dos resultados demonstrou que o IMC não apresentou diferença estatisticamente significante nem entre os grupos nem entre os tempos, e a massa corporal modificou apenas no grupo SM do tempo 10 semanas para o tempo 20 semanas, de 62,33 cm ± 3,53 cm para 61,66 ± 1,63 (p< 0,05).
Quanto ao perímetro abdominal e à razão cintura/estatura, o mesmo comportamento foi observado em todas as comparações. Em SS, o perímetro abdominal inicial foi de 76,92 cm ± 2,46 cm, de 72,24 cm ± 2,12 cm no tempo 10 semanas e de 73, 36 cm ± 2,40 cm no tempo 20 semanas, com diferença significante do tempo inicial para os demais (p < 0,05). A razão cintura/estatura foi de 0,46 ± 0,015 no período inicial, de 0,43 ± 0,014 no tempo 10 semanas e de 0,44 ± 0,016 no tempo 20 semanas, com diferença significante do tempo inicial para os demais (p < 0,05). Em MS, o perímetro abdominal inicial foi de 79,44 cm ± 2,16 cm, e de 74, 37 cm ± 2,32 cm no tempo 20 semanas. A razão cintura/estatura foi de 0,48 ± 0,013 no período inicial, e de 0,44 ± 0,013 no tempo 20 semanas, com diferença significante do tempo inicial para o de 20 semanas (p < 0,05). Em MM, o perímetro abdominal inicial foi de 82,33 cm ± 3,74 cm, e de 78, 09 cm ± 3,75 cm no tempo 10 semanas, com diferença significante do tempo inicial para o de 10 semanas (p < 0,05). A razão cintura/estatura foi de 0,49 ± 0,019 no período inicial, e de 0,46 ± 0,19 no tempo 10 semanas, com diferença significante do tempo inicial para o de 10 semanas (p < 0,05).
Para a amostra estudada, os melhores resultados foram obtidos para o grupo SS, com redução dos indicativos de risco já na 10ª semana de treinamento, mantendo-se até a 20ª semana; e pelo grupo MS, com reduções após 20 semanas.
Não foram encontrados resultados semelhantes na literatura, já que são escassos trabalhos com esta abordagem que tenham utilizado a RCE, mas os que utilizaram IMC e/ou perímetro abdominal não observaram diferença nem nas séries simples e nem nas múltiplas (KRAEMER et al., 2000; MARZOLINI et al., 2008).

CONCLUSÃO
O trabalho de força em hidroginástica demonstrou melhores resultados de redução de risco para doenças crônicas não transmissíveis em programa de séries simples.

Palavras-chave


razão cintura/estatura; treinamento de força; hidroginástica

Referências


ASHWELL, M.; GUNN, P.; GIBSON, S. Waist-to-height ratio is a better screening tool than waist circumference and BMI for adult cardiometabolic risk factors: systematic review and meta-analysis. Obes Rev, v. 13, n. 3, p. 275-86, Mar 2012.

BERGAMIN, M., Water- versus land-based exercise in elderly subjects: effects on physical performance and body composition. Clini Interv Aging v. 8, p. 1109-1117, 2013.

FARRELL, S. W. et al. Cardiorespiratory fitness, adiposity, and all-cause mortality in women. Med Sci Sports Exerc, v. 42, n. 11, p. 2006-12, Nov 2010.

FRÖHLICH, M., et al. Outcome effects of single-set versus multiple-set training-An advanced replication study. Res Sports Med 18(3): 157-175,2010.

KRAEMER, W. J. et al. Influence of resistance training volume and periodization on physiological and performance adaptations in collegiate women tennis players. Am J Sports Med, v. 28, n. 5, p. 626-33, Sep-Oct 2000.

MARZOLINI, S. et al. Aerobic and resistance training in coronary disease: single versus multiple sets. Med Sci Sports Exerc, v. 40, n. 9, p. 1557-64, Sep 2008.

PARIKH, R. M. et al. Index of central obesity - A novel parameter. Med Hypotheses, v. 68, n. 6, p. 1272-5, 2007.

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