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UMA HISTÓRIA DA RECREAÇÃO NA ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE MINAS GERAIS (1952 – 1969) – BRASIL
Mauro Lúcio Maciel Júnior, Hilton Fabiano Boaventura Serejo, Hélder Ferreira Isayama

Última alteração: 2015-11-19

Resumo


No Brasil, a temática “recreação” é objeto de estudos e ou possibilidades de vivências que historicamente está presente como um conteúdo nos cursos de graduação em Educação Física. Contudo, a ideia de recreação é carregada de preconceitos e visualizada, principalmente, como um momento de diversão que pode contribuir para mascarar injustiças sociais. Tendo isso em vista, esta pesquisa objetivou analisar o caminho percorrido pelos estudos da recreação, no período de 1952 a 1969, na Escola de Educação Física de Minas Gerais (EEFMG), a fim de compreender os motivos da inserção da(s) disciplina(s) no currículo do curso; identificar e discutir os conhecimentos difundidos e a que interesses atendiam, bem como analisar os significados de recreação nos currículos da EEFMG. O período de análise foi demarcado pelo surgimento da EEFMG em 1952, até o momento de sua federalização em 1969, quando é integrada a Universidade Federal de Minas Gerais. Essa compreensão se deu a partir de uma pesquisa de fontes documentais escritas e imagéticas que propiciaram elementos para explicar o caminho percorrido pelos estudos da recreação até que se consolidassem em uma disciplina acadêmica, como diários de classe, provas, atas, currículos dos professores responsáveis pela disciplina, além de outros documentos presentes nos arquivos do Centro de Memória da Educação Física (CEMEF) da UFMG. Como ferramenta para a análise de dados, optamos pela análise de conteúdo das fontes documentais. Como resultados, vimos que desde o início do funcionamento da EEFMG a recreação era um domínio cognitivo presente nos planos de ensino e avaliações de algumas disciplinas, como: “Metodologia da Educação Física”, “Educação Física Geral”, entre outras. Esse saber estava presente na formação da época, sobretudo no curso de Educação Física Infantil. A década de 1960 representou uma efervescência no campo educacional e, em decorrência da aprovação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n.º 4.024/61), em 1962 foi criado o Currículo Mínimo para os cursos superiores de Educação Física, no qual explicitavam que a “Recreação” seria uma disciplina obrigatória na matriz curricular desses cursos. Pode-se dizer que foi a oficialização da recreação como uma disciplina acadêmica e por isso, no ano de 1963, ocorre uma mudança curricular no curso da EEFMG com a inserção da Recreação como disciplina acadêmica. Os documentos demonstram que algumas concepções predominantes de recreação a associavam a relação de conveniência recíproca entre o prazer e o interesse bio-psico-social e a consideravam uma atividade livremente escolhida e exercida nas horas de lazer. Essas concepções eram complementares e desenvolvidas simultaneamente no curso de Educação Física.

Palavras-chave


Currículo; História das Disciplinas; Recreação

Referências


BRASIL, Lei N. 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 1961.
CHERVEL, André. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. In: Teoria & Educação. Belo Horizonte: UFMG, vol. 2, 1990. p.177-229.
GOODSON, Ivor. Tornando-se uma matéria acadêmica: padrões de explicação e evolução. In: Teoria & Educação. Belo Horizonte: UFMG, vol. 2, 1990.
ISAYAMA, Hélder Ferreira (Org.). Lazer em Estudo: Currículo e Formação Profissional. Campinas, SP: Papirus, 2010.

FONTES PRIMÁRIAS:
Acervo do Centro de Memória da Educação Física, do Esporte e do Lazer da Universidade Federal de Minas Gerais (CEMEF), Fundo Institucional Escola de Educação Física de Minas Gerais (1952-1969).

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