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GÊNERO NA FORMAÇÃO INICIAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA: CONSTRUÇÃO SOCIAL DAS DIFERENÇAS NO CURRÍCULO
ROBERTA DE GRANVILLE BARBOZA, Marcílio Souza Júnior

Última alteração: 2021-12-03

Resumo


INTRODUÇÃO
O estudo objetiva compreender gênero e a construção social das diferenças no currículo da Formação Inicial em Educação Física. Justifica-se a partir da legislação de formação de professores, a qual obrigava o trato das temáticas de gênero (BRASIL, 2015), fato esse que não mais ocorre nas atuais legislações (BRASIL, 2018; 2019). Aponta-se, portanto, a necessidade de uma investigação que revele como gênero é tratado nesse contexto.

BASE TEÓRICA
A “Primeira Onda” feminista caracterizou-se por reivindicações referentes ao sufrágio feminino, já a “Segunda Onda” estabeleceu fortes relações com outros movimentos sociais e com as produções acadêmicas sobre a categoria “mulher”. (LOURO, 2014). A “Terceira Onda” revela formas não binárias de gênero que supere o heterossexismo (BUTLER, 2019). Gênero, concebido numa lógica socio histórica, somente aparece como categoria no início da década de 1980. É atualmente entendido de forma instável, a partir de identidades subversivas as quais vem sendo silenciadas nas instituições que tomam por base padrões heteronormativos (SCOTT, 1995; LOURO, 2014; GOELLNER, 2003). Na formação em Educação Física, os estudos revelam que os currículos acompanham esse silenciamento em diferentes épocas.

METODOLOGIA
Optou-se pelo estudo do tipo etnográfico de abordagem qualitativa (ANDRÉ, 1995), realizado na ESEF/UPE com foco em disciplinas da Cultura Corporal de Movimento. Pretende-se obter e analisar os dados através de pesquisa bibliográfica, documental e de campo. A pesquisa bibliográfica encontra-se concluída e os documentos (Projetos Pedagógicos de Curso – PPCs e Planos de Ensino das disciplinas) estão em fase de análise (MARCONI; LAKATOS, 2010).
A pesquisa de campo terá como procedimento de coleta e análise dos dados a entrevista semiestruturada (com docentes), o grupo focal (com estudantes) e a análise de conteúdo categorial temática (BARDIN, 2011). O processo correrá remotamente por meio de plataforma virtual (Google meet) e a transcrição através da ferramenta do WhatsApp, prevendo-se as possíveis restrições acarretadas pela pandemia da COVID-19.

DISCUSSÃO
Após as primeiras análises, percebeu-se que, tanto na história da Educação Física quanto na de sua formação inicial, gênero é silenciado ou tratado de forma binária, o que leva a um processo de não reconhecimento de corpos em sua diversidade. Aponta-se nos PPCs dos cursos, que no currículo novo da Licenciatura traz gênero principalmente nas ementas das disciplinas de cultura de movimento. No Bacharelado e no currículo antigo da Licenciatura o debate não é evidenciado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se, preliminarmente, que gênero nos documentos dos cursos analisados revelam os mesmos problemas apontados pela literatura, carecendo de um aprofundamento na Licenciatura e de ser tratado no Bacharelado.

Referências


ANDRÉ, M. E. D. A. de. Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus, 1995.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011.

BRASIL. Resolução nº 02 CNE/CP/2015, de 1 de julho de 2015. Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior e para a formação continuada. Brasília DF. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/docman/agosto-2017-pdf/70431-res-cne-cp-002-03072015-pdf/file >. Acesso em 14 de junho de 2021.

______. Resolução nº 06 CNE/CP/2018, de 18 de dezembro de 2018. Diretrizes Curriculares Nacionais para Graduação em Educação Física. Brasília DF. Disponível em:< http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/55877795>. Acesso em 14 de junho de 2021.

______. Resolução nº 02 CNE/CP/2019, de 20 de dezembro de 2019. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNCC-Formação). Brasília DF. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=135951-rcp002-19&category_slug=dezembro-2019-pdf&Itemid=30192 >. Acesso em 17 de junho de 2021.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução Renato Aguiar. 5. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.

GOELLNER, S. V. Bela, Maternal e Feminina. Imagens da Mulher na Revista Educação Physica. Ijuí: Unijuí, 2003.

LOURO, G. L. Gênero, Sexualidade e Educação. Uma Perspectiva Pós-estruturalista. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.

MARCONI, M. de A. e LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas 2010.

SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade. v. 2, n. 20, p. 71-100. 1995.

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